Tecnologia e missões: como usar seus talentos para servir a Deus?

Image fornecida pelo autor

Você gosta de tecnologia, tem facilidade com computadores ou se interessa por inteligência artificial. Talvez até estude programação ou trabalhe com desenvolvimento de software. Mas, quando pensa em missões, surge uma dúvida: será que existe espaço para alguém com essas habilidades?

Essa é uma das questões exploradas no episódio 28 do The Waves Podcast, em uma conversa entre Marcel e Adriano Estevam sobre tecnologia a serviço da missão. Adriano conhece essa dúvida de perto.

Antes de iniciar sua jornada missionária, ele já tinha grande interesse pelo universo dos computadores. Desde jovem, participava de atividades com microcomputadores e procurava aprender sobre as ferramentas disponíveis. A curiosidade o levou a explorar diferentes possibilidades, desenvolver conhecimentos e, posteriormente, colocar essas habilidades a serviço de necessidades missionárias.

Mas, quando decidiu fazer uma ETED, Adriano também se perguntou qual seria seu lugar naquele contexto. Ele imaginava que talvez precisasse mudar completamente sua formação ou aprender habilidades diferentes para contribuir com a missão. Sua trajetória mostrou outras possibilidades.

Existe espaço para quem gosta de tecnologia em missões?

Uma das reflexões centrais do episódio é que nem todos os missionários precisam exercer as mesmas funções.Quando Adriano começou a se envolver com missões, ele ainda não compreendia como seus conhecimentos técnicos poderiam contribuir. A resposta começou a surgir a partir de experiências práticas.

Durante trabalhos evangelísticos realizados no Carnaval, uma dificuldade recorrente era acompanhar as pessoas que haviam respondido à mensagem do Evangelho. Os participantes preenchiam fichas de papel com seus dados, mas ainda existia o desafio de conectar essas pessoas a comunidades cristãs próximas de suas casas. Adriano percebeu que poderia utilizar tecnologia para facilitar esse processo.

Mesmo sem formação acadêmica em programação, desenvolveu um sistema que organizava os cadastros e relacionava as informações das pessoas com igrejas localizadas em seus bairros. Ao final dos eventos, o sistema ajudava a produzir cartas para as igrejas e para as pessoas que precisavam de acompanhamento.

Essa experiência ampliou sua compreensão sobre o papel da tecnologia na missão.

“Eu descobri que tinha lugar pra mim, que tem lugar pra mim, sempre vai haver lugar pra gente como a gente.”

O que antes parecia uma habilidade sem aplicação direta no campo missionário se tornou uma forma concreta de contribuir.

Essa história abre uma reflexão para quem está considerando missões: antes de concluir que sua formação não combina com esse caminho, vale conhecer as diferentes necessidades que existem dentro do trabalho missionário.

A tecnologia não é a missão, mas pode ser uma ferramenta

Quando ouvimos falar de tecnologia em missões, é comum pensar primeiro em sites, redes sociais ou produção de conteúdo. Mas, durante o episódio, Adriano amplia essa perspectiva.

Ele destaca que a tecnologia pode contribuir para áreas como administração, finanças, recursos humanos, recrutamento, treinamento e planejamento de estratégias missionárias. Ferramentas que tornam determinados processos mais eficientes podem ajudar as equipes a dedicar mais tempo às atividades que consideram essenciais. Ao mesmo tempo, Adriano apresenta um cuidado importante.

Existem pessoas que veem a tecnologia como solução para praticamente todos os problemas. Outras a enxergam principalmente como ameaça. Para ele, o caminho passa por evitar esses dois extremos.

“Eu acho que se trata mais disso, o tempo e o lugar para cada ferramenta.”

Essa perspectiva também aparece quando a conversa aborda a inteligência artificial. Adriano menciona, por exemplo, equipes missionárias que estão se preparando para atuar na Ásia Central e precisam aprender idiomas e dialetos específicos. Ferramentas digitais podem oferecer recursos de aprendizado que seriam difíceis de acessar presencialmente em determinadas localidades.

Mas elas não substituem automaticamente o discernimento, a oração ou o relacionamento humano. A questão não é utilizar tecnologia apenas porque ela está disponível. É compreender qual ferramenta realmente contribui para determinada necessidade.

Para jovens familiarizados com programação, inteligência artificial, comunicação digital ou outras áreas técnicas, essa reflexão abre possibilidades de participação na missão sem transformar a tecnologia em um fim em si mesma.

O que Deus pode fazer com aquilo que você já tem?

Um dos momentos mais significativos da conversa acontece quando Marcel pergunta como alguém que gosta de tecnologia pode conciliar essa habilidade com o chamado missionário.

Adriano responde lembrando uma mensagem de Darlene Cunningham, fundadora da Jocum, intitulada “O que tens nas mãos”. A mensagem relacionava diferentes personagens bíblicos aos recursos que possuíam e à maneira como esses recursos foram utilizados. Ao trazer essa reflexão para o presente, Adriano apresenta uma pergunta:

“Senhor, o que o senhor pode fazer com isso que eu tenho aqui nas minhas mãos?”

A pergunta muda o ponto de partida. Em vez de pensar apenas nas habilidades que ainda faltam, podemos refletir sobre o conhecimento, as experiências e os recursos que já fazem parte da nossa vida. Para ilustrar essa ideia, Adriano conta outra experiência marcante.

Em 2001, ele participou da preparação de uma conferência da Jocum que conectava simultaneamente quatro países africanos: Egito, África do Sul, Gana e Quênia. Naquela época, realizar videoconferências exigia equipamentos específicos, redes dedicadas e negociações técnicas com empresas de telecomunicações.

Adriano e outros missionários precisaram lidar com engenheiros e estruturas de comunicação complexas para viabilizar a conexão. Em uma das situações, a equipe recebeu uma colaboração especialmente rápida na África do Sul.

Meses depois, descobriram que havia ocorrido um mal-entendido: os profissionais da empresa de telecomunicações acreditaram que estavam atendendo a uma solicitação relacionada às Nações Unidas, quando, na verdade, a equipe representava a Universidade das Nações.

A história mostra como conhecimentos técnicos fizeram parte de um projeto missionário que conectou equipes em diferentes países. E reforça uma ideia importante: habilidades que parecem distantes da missão podem encontrar aplicações inesperadas. Adriano encerra sua reflexão destacando que existe espaço para pessoas dispostas a colocar aquilo que sabem fazer a serviço de Deus.

Seu próximo passo pode começar com o que você já sabe

Tecnologia e missão não precisam ser caminhos separados.

Ao longo do episódio, a experiência de Adriano mostra que habilidades técnicas podem contribuir tanto para necessidades internas das organizações missionárias quanto para iniciativas que buscam superar barreiras de comunicação e acesso. Talvez o próximo passo não seja abandonar aquilo que você gosta de fazer, e sim descobrir como essas habilidades poderiam servir às necessidades da missão.

Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.

Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.

Rolar para cima