Missões sem fronteiras: quando o próximo passo é suficiente

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Nem sempre quem recebe um chamado recebe também um mapa completo. O que o pioneirismo em Uganda ensina sobre chamado, relacionamento, fé e obediência.

No episódio 27 do The Waves Podcast, Vanderson Freitas compartilha parte da caminhada que levou sua família a servir em Uganda e participar do início de um trabalho missionário no oeste do país.

O que começou com oração e direção de Deus acabou colocando a equipe diante de uma realidade que não imaginavam encontrar: pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e línguas reunidas em comunidades de refugiados.

Ao invés de enxergar essas pessoas somente pela condição em que chegaram ao país, uma visão começou a orientar o trabalho: discipulá-las, treiná-las e ajudá-las a perceber que também existe espaço para elas na Grande Comissão.

Essa experiência traz perguntas muito próximas de quem sente desejo de servir em missões, mas ainda está tentando descobrir como começar.

Você precisa enxergar todo o caminho antes de obedecer?

Uma das experiências que mais marcaram Vanderson no pioneirismo foi perceber que fé não significa necessariamente conhecer antecipadamente tudo o que vai acontecer. Ao começar um trabalho em uma região onde não havia uma estrutura pronta esperando pela equipe, ele precisou aprender outra forma de caminhar.

“Fé é continuar caminhando mesmo sem você ver os próximos passos, mesmo sem você ver o próximo caminho.”

Existe uma tensão conhecida por muita gente que está discernindo seu chamado: queremos saber o lugar, o tempo, como tudo vai funcionar e quais serão as consequências antes de tomar qualquer decisão. Mas a experiência compartilhada no episódio aponta para um processo diferente.

Vanderson diz que aprendeu que Deus não precisa mostrar todo o caminho de uma vez. Pode mostrar o próximo passo, a próxima vila ou a próxima comunidade com quem construir relacionamento.

Isso não significa abandonar planejamento ou preparação. Significa reconhecer que planejamento, liderança e recursos não substituem a dependência de Deus. Para quem está esperando ter todas as respostas antes de começar a caminhar, talvez uma pergunta importante seja: qual é o próximo passo que você já consegue reconhecer?

O diferente não é errado

O choque cultural também teve um papel importante na experiência de Vanderson em Uganda.

Depois de passar um período em uma região onde havia mais estrutura, sua família seguiu para o oeste do país. Foi aí que as diferenças começaram a ficar ainda mais evidentes. Comida, língua, lugares, hábitos e a maneira como as coisas funcionavam não eram iguais ao que ele conhecia no Brasil. E desse processo nasceu um aprendizado simples:

“O diferente não é errado, ele só é diferente.”

Essa percepção se tornou ainda mais importante no relacionamento com os refugiados.

Dentro do campo, a equipe encontrou pessoas vindas de diferentes países e comunidades. Uma língua aprendida em uma vila poderia não funcionar na próxima. A comida de um grupo não era necessariamente a mesma de outro. As culturas também mudavam. Por isso, Vanderson destaca repetidamente o relacionamento.

Antes de programas e estratégias, foi necessário se aproximar, conhecer pessoas, aprender palavras e construir confiança. Missões transculturais não são apenas sobre chegar a outro país. Também envolvem reconhecer que servir pessoas exige disposição para aprender com elas.

De refugiados a missionários

Uma das ideias centrais do episódio aparece quando Vanderson explica a visão que direciona o trabalho da comunidade em Uganda.

“O governo recebe essas pessoas aqui como refugiados. Mas Deus está olhando para elas como missionários.”

A equipe começou a trabalhar com pessoas vindas de diferentes países e percebeu que o objetivo não deveria ser somente atendê-las, mas também discipulá-las e treiná-las. Vanderson conta que quatro obreiros da comunidade haviam sido refugiados e agora se reconheciam como missionários.

Segundo ele, quando alguém os identifica somente como refugiados, eles mesmos corrigem: agora entendem seu chamado e seu lugar na Grande Comissão. Esse processo acontece por meio de diferentes iniciativas.

A comunidade desenvolve uma Escola de Inglês para Missões, permitindo que pessoas que chegaram sem domínio do inglês possam se preparar para outros treinamentos. No segundo semestre, há também a ETED. Como retirar alguém do campo de refugiados pode envolver dificuldades de autorização e documentação, a equipe também leva programas de discipulado até as comunidades.

Em uma dessas turmas mencionadas no episódio, 55 refugiados de mais de quatro nacionalidades concluíram três meses de discipulado. O objetivo não é apenas transmitir informações. É ajudar pessoas a conhecer Deus, aprender a ouvir Sua voz e compreender sua participação na missão.

Três perguntas para quem sente um chamado

Quando a conversa passa para quem deseja servir entre outros povos, Vanderson propõe três perguntas:

Qual é o seu chamado?

Onde Deus te chamou para servir?

Quando você vai começar?

Para ele, essas respostas ajudam a evitar um problema: dedicar energia a algo que Deus nunca pediu.

“Pior do que fazer bem feito é fazer com excelência o que Deus nunca pediu para você fazer.”

A frase provoca porque desloca a discussão. A questão deixa de ser simplesmente: “Eu consigo fazer isso?” E passa a ser: “Foi isso que Deus me chamou para fazer?”

Vanderson também alerta para o outro extremo: passar tanto tempo acumulando ferramentas que a preparação acaba se transformando em adiamento. Treinamento é importante. A própria comunidade em Uganda investe em formação, discipulado, inglês e ETED. Mas preparação e obediência precisam caminhar juntas.

Pioneirismo não é ativismo

Na reta final da conversa, Vanderson responde a uma percepção comum sobre o trabalho pioneiro: a ideia de que pioneirismo necessariamente significa ativismo. Para ele, existe uma diferença.

“Ativismo é quando você faz sem direção. O pioneirismo é fazer o certo com convicção.”

Depois dos primeiros anos do trabalho, a equipe começou a enxergar um movimento de multiplicação. Novos obreiros, alunos de diferentes nacionalidades e pessoas sendo discipuladas passaram a fazer parte da realidade da comunidade.

A visão de multiplicar, segundo Vanderson, passa justamente por treinar pessoas e mostrar que existe espaço para elas na Grande Comissão. O objetivo não é carregar sozinho aquilo que Deus está fazendo. É formar outros que também possam participar.

Ouvir, obedecer e continuar

No fim do episódio, Vanderson relembra Gênesis 12:1 e a experiência de Abraão recebendo o direcionamento para sair sem conhecer antecipadamente toda a terra que seria mostrada. O ponto que mais chama sua atenção é a promessa: “eu vou te mostrar”.

É dessa perspectiva que surge seu encorajamento final para quem está discernindo um chamado missionário: ouvir a voz de Deus, obedecer e não desistir daquilo que Ele está direcionando.

Talvez você ainda não consiga enxergar todos os próximos anos. Talvez a decisão sobre povos, lugar, treinamento ou tempo ainda esteja sendo formada. Mas as perguntas continuam válidas: o que Deus tem falado? Qual é o próximo passo? E o que está impedindo você de começar?

Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.

Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.

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