No episódio 12 do The Waves Podcast, Marcel conversa com Paulo Brito, missionário da JOCUM há 30 anos. A história de Paulo começa em Minas Gerais, quando ele conheceu uma equipe da JOCUM pregando nas ruas, escolas, praças e mercados. Ao acompanhar aquela equipe, algo ficou claro em seu coração: ele queria anunciar o evangelho de Jesus daquela mesma forma. Anos depois, após oração, conversa com seus pastores e envio da igreja, Paulo iniciou sua caminhada missionária de tempo integral.
Para muitos jovens, a dúvida não é se Deus ainda chama, mas como responder a esse chamado. O medo aparece. A insegurança também. A pergunta sobre o próximo passo fica no coração. A história de Paulo mostra que o chamado missionário não precisa começar com todas as respostas prontas, mas precisa ser acompanhado por obediência, comunhão com Jesus e disposição para renunciar.
O chamado começa com obediência
Paulo relembra que conheceu a JOCUM em 1994, por meio de uma equipe que foi até sua cidade, Manga, no norte de Minas. Ao ver aqueles missionários pregando, ele identificou um desejo que marcaria sua vida: “Eu quero fazer o que esse povo faz, pregar o evangelho de Jesus.”
Esse chamado não foi tratado de forma isolada. Paulo orou, conversou com seus pastores e foi enviado pela igreja. Em 1997, foi para a JOCUM Contagem fazer sua ETED e, desde então, passou a servir como missionário de tempo integral.
Uma das frases mais fortes do episódio resume essa decisão: “Se tem algo que eu não me arrependo, é de ter obedecido o chamado de Jesus.” Para quem está em dúvida, essa fala aponta para um caminho importante: discernir o chamado com Deus, caminhar com liderança, buscar preparo e dar passos concretos de obediência.
Deus transforma passos simples em movimento
A chegada à Tanzânia não aconteceu porque Paulo tinha tudo planejado. Ele conta que, enquanto estava na África do Sul, Deus começou a direcionar sua família para a Tanzânia. Eles chegaram sem conhecer ninguém no país e sem alguém esperando no aeroporto. Tudo era novo.
No início, Paulo e sua equipe usavam o filme Jesus em swahili para evangelizar em vilas e aldeias. Pessoas começaram a se converter, mas surgiu uma pergunta prática: para onde essas pessoas iriam depois? Muitas vilas não tinham igrejas, pastores ou cristãos se reunindo.
Foi nesse contexto que começaram pequenos grupos em casas, debaixo de árvores e em lugares simples. O que não era um plano humano de plantação de igrejas se tornou algo conduzido por Deus. Paulo resume assim: “O plano estava somente no coração de Deus.”
Com o tempo, líderes locais foram treinados e enviados. Paulo conta que, a partir das primeiras igrejas, o movimento cresceu para dezenas e depois centenas de igrejas simples. Ele deixa claro que não estava falando de templos ou construções, mas de grupos de pessoas se reunindo semanalmente, sendo ensinadas e discipuladas.
O campo missionário exige fé, estratégia e perseverança
O episódio também mostra que missões não são romantizadas. Paulo fala sobre barreiras culturais, aprendizado de língua, resistência ao estrangeiro e até situações de perseguição religiosa. Em uma das histórias, ele conta que sua equipe foi cercada por jovens com machados, facões e pedaços de pau, sendo expulsa de uma região onde trabalhava.
Mesmo depois dessa situação, Paulo relata que Deus falou ao seu coração para voltar à aldeia, perdoar aquelas pessoas e pregar para elas. A estratégia veio por meio da área de saúde. A equipe levou médicos, tratamento gratuito, remédios e Bíblias. Pessoas foram cuidadas, ouviram a Palavra e algumas se entregaram a Jesus secretamente.
Essa história revela um ponto central da conversa: a missão exige sensibilidade para ouvir Deus no meio dos desafios. Como Paulo afirma: “A gente não pode baixar a cabeça para as dificuldades.” Para ele, o caminho é orar, ouvir a voz de Deus, buscar o Senhor e receber a estratégia necessária para continuar.
Paulo também menciona Lucas 10 ao explicar o conceito de “pessoa de paz”, alguém que Deus usa para abrir portas em uma vila, aldeia ou povo. Essa referência aparece conectada à prática missionária de aproximação, relacionamento e entrada respeitosa em novos contextos.
Chamado, medo e decisão
Ao final da conversa, Marcel pergunta o que Paulo diria aos jovens que sentem chamado, mas ainda estão tentando discernir o próximo passo. A resposta de Paulo é direta: “Obediência radical ao chamado de Jesus.”
Ele também reconhece que o medo é normal. Missionários sentem medo, enfrentam frustrações, solidão, perigos e dificuldades reais. Mas Paulo aponta que o que sustenta alguém no campo é a palavra recebida de Deus e uma vida desenvolvida em comunhão com Jesus.
Para ele, essa palavra cresce à medida que a pessoa cultiva oração, meditação na Palavra, intercessão e intimidade diária com Deus. Por isso, seu conselho é claro: “Não troque o seu momento de comunhão com Jesus por nada.”
A mensagem final do episódio é um convite à decisão. Missões não são uma opção para quem “não deu certo” em outra área. Nas palavras de Paulo, é possível escolher missões como uma carreira de obediência ao Senhor. Para jovens que sentem esse desejo, o próximo passo pode começar com preparo, acompanhamento e uma resposta sincera ao chamado de Jesus.
Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.
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