O chamado de Roberto (missionário anonimizado) para as nações começou quando ele ainda estava nos primeiros anos de sua caminhada com Jesus. No episódio 20 do The Waves Podcast, ele conta a Silas como uma pergunta passou a acompanhá-lo enquanto lia a Bíblia e participava de evangelismos no Rio de Janeiro: quem eram os povos de sua geração que ainda não conheciam Jesus?
A resposta que ele entendeu de Deus acabou apontando para o Afeganistão.
O problema é que responder a esse chamado significava caminhar em direção a uma realidade completamente diferente daquela em que havia aprendido a evangelizar. Em vez de microfones, apresentações públicas e grandes grupos reunidos, ele encontrou vigilância, limitações, riscos de deportação e uma igreja que precisava viver sua fé de maneira extremamente discreta.
A história de Roberto ajuda a responder uma pergunta importante: como funciona a missão quando o país é considerado fechado?
O medo de dar um passo em direção ao desconhecido
Para quem sente um chamado para missões, uma das maiores tensões pode estar entre saber para onde Deus parece apontar e enxergar tudo o que torna esse caminho difícil.
Roberto não tenta esconder essa tensão.
“O medo existe, ele é real.”
Quando sentiu que era hora de entrar no Afeganistão, ele já estava em um país vizinho. Ainda assim, precisava enfrentar a realidade de entrar em um território controlado pelo Talibã.
O processo incluía conseguir um visto diretamente com um representante talibã. Depois de um período de oração e jejum, Roberto foi até o consulado acompanhado por um tradutor e enfrentou uma situação para a qual não havia como estar completamente preparado.
Sua história não apresenta coragem como ausência de medo. O que aparece ao longo da conversa é uma decisão de continuar mesmo diante dele.
“A gente tem que passar por cima da intimidação.”
Isso também ajuda a reposicionar uma dúvida comum sobre chamado. Nem sempre sentir medo significa que você está no lugar errado. Para Roberto, o medo estava presente justamente enquanto caminhava em direção ao lugar para o qual acreditava ter sido chamado.
País fechado não significa que todas as pessoas estão fechadas
Existe uma diferença importante apresentada durante o episódio: um sistema fechado não necessariamente significa que cada pessoa naquele país é hostil.
Quando Roberto chegou à Ásia Central, encontrou governos controladores, vigilância e restrições reais à expressão pública da fé. Telefones podiam ser monitorados, determinadas conversas não podiam acontecer abertamente e estrangeiros poderiam perder seus vistos ou ser deportados.
Por isso, a maneira de fazer missões precisou mudar.
Ele resume esse aprendizado falando sobre prudência. Em um contexto de perseguição, chamar atenção para si mesmo não era uma estratégia possível.
Ao mesmo tempo, sua convivência com muçulmanos desconstruiu parte das imagens que carregava antes de chegar à região. Roberto fala sobre amizades, hospitalidade e relacionamentos profundos construídos ao longo dos anos.
Essa experiência mostra por que é perigoso olhar para países inteiros apenas a partir daquilo que aparece quando pensamos em perseguição.
As restrições são reais. Os riscos também.
Mas as pessoas continuam sendo pessoas — com histórias, famílias, perguntas, relacionamentos e uma busca espiritual que precisa ser compreendida dentro de seu próprio contexto.
Em alguns lugares, prudência faz parte da missão
No Rio de Janeiro, Roberto havia participado de evangelismos públicos no centro da cidade. Ao chegar à Ásia Central, aquela forma de atuação simplesmente não poderia ser reproduzida.
“A gente não podia falar as coisas […] publicamente.”
Essa mudança revela um dos pontos centrais do episódio.
Missões não significam repetir o mesmo método em qualquer parte do mundo.
Em países nos quais a expressão pública da fé cristã é limitada, o trabalho pode depender muito mais de relacionamento, confiança, tempo e discernimento.
Roberto conta que, quando chegou pela primeira vez ao Afeganistão, havia apenas cinco cristãos no país segundo a realidade que ele encontrou. A maneira como eles se reuniam era tão discreta que o encontro poderia acontecer em um mercado: uma pessoa se aproximava da outra enquanto compravam alimentos, compartilhavam uma oração e um versículo em voz baixa e seguiam seu caminho.
Era uma igreja existindo em condições completamente diferentes daquelas que ele conhecia no Brasil.
Essa história ajuda a entender que prudência não é necessariamente falta de coragem. Em determinados contextos, ela é justamente parte da maneira de permanecer, proteger pessoas e continuar servindo.
A oração pode atravessar uma fronteira antes de você
Nem todo jovem que se importa com povos não alcançados está pronto para mudar de país amanhã.
Isso não significa que não exista nada para fazer hoje.
Quando Silas pergunta como alguém pode começar a se envolver antes de ir fisicamente, Roberto aponta para a oração.
“As suas orações chegam a lugares muito, muito focados no mundo.”
Ele incentiva quem está ouvindo a colocar o mapa diante de Deus, observar lugares onde o evangelho ainda não chegou e começar a orar intencionalmente por eles.
Para Roberto, sua própria chegada ao Afeganistão estava ligada a esse movimento.
“Eu tenho certeza que eu cheguei ali no Afeganistão porque alguém orou para aquele local.”
Essa perspectiva tira missões do campo de uma decisão distante que talvez aconteça algum dia.
Você pode começar agora.
Pode conhecer lugares, carregar povos em oração e permitir que Deus amplie aquilo que ocupa seu coração.
E, para algumas pessoas, esse processo pode acabar conduzindo também a um passo de formação.
Roberto descreve sua própria experiência na ETED como a oportunidade de começar a enxergar as nações de outra maneira:
“Quando a gente entra numa ETED, vê o mundo sem fronteiras.”
Anos depois, ele viu afegãos passando pelo mesmo processo e voltando às suas regiões para servir e plantar igrejas.
Conclusão
A experiência de Roberto não transforma países fechados em lugares fáceis. O episódio deixa claro que existem riscos, oposição, vigilância e decisões que têm um preço alto.
Mas também mostra que a história não termina nessas barreiras.
O evangelho pode avançar por meio de pessoas que aprendem a agir com prudência, constroem relacionamentos, perseveram em oração e continuam obedecendo mesmo quando o medo é real.
Se você ainda está tentando compreender o seu chamado, talvez o próximo passo não seja descobrir imediatamente onde estará daqui a dez anos. Pode ser começar a perguntar, orar, buscar formação e permitir que sua visão das nações seja ampliada.
Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.
Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.