Quando música, Palavra e missão se encontram

Image fornecida pelo autor

A história de Larissa Assis mostra como algo presente desde a infância pode ganhar novos significados à medida que respondemos ao chamado de Deus. No episódio 24 do The Waves Podcast, ela compartilha sua caminhada com a música, a chegada à Jocum e o processo de compreender que composição, adoração, discipulado e missão não precisavam caminhar separadamente.

Larissa cresceu em um lar cristão e começou cedo a se envolver com instrumentos e com o ambiente de louvor da igreja. A música já fazia parte de sua identidade, mas sua trajetória também carregava outro desejo: missões.

Ela se formou em jornalismo e chegou a manter três empregos. Ainda assim, a vontade de responder ao chamado continuava presente. Até chegar o momento em que, segundo ela, Deus falou de maneira muito forte ao seu coração sobre a necessidade de responder.

Foi nesse processo que apareceu a possibilidade da ETED. Larissa se inscreveu e resume aquela escolha de forma muito clara: foi uma decisão que transformou sua vida e a levou a permanecer em missões.

Quando existe um chamado, mas também existe medo do próximo passo

Para muitos jovens, o desafio não é simplesmente descobrir algo que gostam de fazer. A dificuldade está em entender como habilidades, profissão, sonhos e chamado se conectam.

Larissa já amava música. Também desejava missões. Ao mesmo tempo, havia construído uma formação profissional e uma vida que precisaria deixar para trás ao entrar em uma escola missionária.

Essa tensão aparece quando ela lembra que tinha três empregos e se perguntava como conseguiria se desprender de tudo. O próximo passo nem sempre surge quando todas as dúvidas desapareceram.

No caso de Larissa, a ETED tornou-se parte do caminho de descobrir, na prática, como aquilo que Deus já havia colocado em sua história poderia servir a algo maior. Durante seu período prático, por exemplo, uma de suas responsabilidades era dar aulas de música no King’s Kids.

Foi ali que elementos da sua história começaram a se conectar.

Seus dons não precisam ficar separados da missão

Um dos momentos marcantes aconteceu enquanto Larissa ministrava para crianças. Ela compartilhou uma música que havia guardado durante cerca de dez anos. Segundo conta, quando o período de louvor terminou, as crianças permaneceram sentadas e quebrantadas.

A experiência fez Larissa olhar novamente para sua própria trajetória. A música não havia desaparecido quando ela entrou em missões. Pelo contrário: começava a encontrar um novo propósito dentro dela.

“Eu percebi como a Palavra de Deus se conecta com o nosso coração.”

Ela passou a enxergar com mais clareza como seus dons e habilidades poderiam alcançar uma nova geração. Essa percepção também ajuda a responder uma dúvida comum: é necessário abandonar aquilo que sabemos fazer para servir a Deus?

A experiência contada por Larissa aponta para outra possibilidade. Em sua caminhada, entrar em missões não significou deixar a música para trás. Significou descobrir novas maneiras de colocá-la a serviço de outras pessoas.

A Palavra transformou a forma de criar

Outro ponto decisivo foi a Escola da Palavra Viva. Larissa descreve a experiência como um período de aprofundamento e meditação nas Escrituras em que começou a perceber mudanças também no seu processo criativo.

Enquanto estudava, vieram músicas, desenhos e poesias. Quanto mais mergulhava na Palavra, mais encontrava conteúdo para expressar através da arte.

“A nossa arte vai expressar quem Deus é.”

Essa compreensão passou a orientar sua maneira de compor.

Ao receber um tema para uma música, sua primeira preocupação deixou de ser apenas desenvolver ideias próprias. Ela passou a buscar o que aquele texto bíblico comunicava e aquilo que Deus queria falar por meio dele.

Por isso, quando fala sobre suas composições bíblicas, Larissa explica que seu desejo é que as pessoas não parem apenas na interpretação da compositora, mas continuem meditando na própria Palavra.

Essa perspectiva também mudou sua compreensão sobre adoração.

“Adoração é a resposta diante de quem Deus é.”

Para ela, adoração não está restrita à música. Ela envolve tudo aquilo que fazemos a partir da consciência de quem Deus é e de que estamos diante dele.

Uma música pode atravessar línguas e alcançar povos

A conexão entre música e missão ganhou ainda mais força durante uma experiência no Timor-Leste. Larissa e a equipe trabalhavam com crianças e usavam músicas para ajudá-las na memorização de verdades bíblicas.

Em determinado momento, ela estava realizando outra atividade na vila quando ouviu as crianças cantando. Em um lugar em que praticamente não havia outros sons além dos sons naturais e das próprias pessoas da comunidade, a voz das crianças podia ser ouvida proclamando aquilo que haviam aprendido.

O momento foi marcante.

Larissa percebeu que a música não estava apenas ajudando na memorização. Aquelas crianças estavam repetindo uma mensagem diante de toda a comunidade. Foi desse encontro entre Palavra, música, crianças e povos que surgiu uma convicção:

“Nós vamos pegar a língua dos povos, colocar melodia e ensinar para a nova geração.”

Aquilo mudou sua visão sobre música dentro da missão.

Crianças não precisam esperar para ter propósito

Essa experiência também se conecta com um projeto que hoje ocupa um espaço importante na caminhada de Larissa: a musicalização bíblica. A proposta é ajudar crianças a conhecerem a Palavra e conhecerem Deus por meio da música.

Larissa compôs músicas bíblicas e começou a desenvolver um material que une música, explicações em linguagem simples e perguntas que ajudam as crianças a refletirem sobre aquilo que estão aprendendo. Mas existe um princípio ainda mais amplo por trás do projeto.

Para ela, crianças não deveriam ser subestimadas.

Ao longo da conversa, Larissa questiona a ausência de crianças e adolescentes em muitas equipes de louvor e aponta duas pressuposições que podem contribuir para isso: imaginar que elas não têm capacidade física ou espiritual.

Sua resposta é direta: elas têm.

Por isso, o papel dos adultos não deveria ser simplesmente esperar que cresçam. É preciso aproximar, ensinar e servir.

“Vamos deixar as crianças ocuparem o lugar delas no reino de Deus.”

Larissa reconhece que isso pode exigir mudanças. Talvez seja necessário simplificar uma música, um arranjo ou uma dinâmica. Mas o objetivo não é simplesmente colocar uma criança em uma função. É ajudá-la a crescer e compreender seu lugar.

Ela própria experimentou isso ainda pequena, quando recebeu oportunidades para tocar e participar da igreja. Agora deseja oferecer o mesmo espaço a uma nova geração.

Adoração, missão e os povos

Perto do fim da conversa, Larissa conecta sua experiência com oração e composição a uma visão que acompanha sua vida missionária: povos, tribos, línguas e nações adorando diante de Deus. Essa imagem influencia suas músicas e sua maneira de servir.

Ela lembra dos lugares em que já teve a oportunidade de cantar, das equipes que treinou e de suas músicas sendo traduzidas em diferentes países. Para Larissa, adoração e missão se conectam justamente nesse desejo de que pessoas e povos voltem seus olhos para Deus.

E esse talvez seja um dos principais aprendizados da conversa. Chamado nem sempre significa encontrar uma atividade completamente nova. Em alguns casos, pode envolver permitir que Deus dê novo propósito àquilo que já colocou em nossa história.

A música continuou sendo música.

Mas, nas mãos de Larissa, ela também se tornou ferramenta de discipulado, ensino, proclamação, serviço à nova geração e conexão com os povos.

Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.

Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.

Rolar para cima