No episódio 23 do The Waves Podcast, a história do missionário e cineasta Tiago Esmeraldo mostra como o interesse por imagens, histórias e cinema foi se encontrando, aos poucos, com sua caminhada com Deus.
Desde pequeno, Tiago convivia com missões. Seu pai era pastor, missionários passavam por sua casa e a Jocum já fazia parte do universo de sua família. Em uma dessas experiências, ainda criança, ele conheceu um navio ligado à missão e viu um vídeo que apresentava trabalhos realizados em outras nações.
Anos depois, olhando para trás, ele percebeu o impacto daquela experiência. Através do audiovisual, conseguiu se conectar com lugares, pessoas e histórias que estavam muito distantes dele.
O cinema já falava sua linguagem antes mesmo de ele entender que poderia fazer parte de sua vocação.
Quando o chamado encontra aquilo que já existe em você
Por muito tempo, cinema era interesse, curiosidade e prazer para Tiago. Não existia ainda um plano técnico ou profissional bem definido.
Até que, em 2001, enquanto assistia a um filme brasileiro no cinema, alguma coisa mudou.
Quando o filme terminou, ele permaneceu assistindo aos créditos. Encantado com o que havia acabado de ver e pensando nas possibilidades daquele universo, percebeu de maneira muito forte Deus o convidando para aquele lugar.
A pergunta seguinte era inevitável: como fazer isso?
Tiago vivia no interior do Ceará. Não tinha acesso fácil a uma faculdade de cinema ou aos recursos que hoje fazem parte da rotina de quem quer aprender audiovisual. O caminho não estava pronto.
Mesmo assim, ele começou.
Pegou uma câmera e passou a produzir com aquilo que tinha disponível.
Essa parte da história é especialmente importante para quem sente que Deus pode estar direcionando sua vida para alguma área, mas ainda não consegue enxergar todo o caminho. Na experiência de Tiago, chamado e clareza não chegaram necessariamente juntos. Houve uma direção e, depois dela, uma jornada.
Como ele resume:
“Deus cuida do nosso chamado.”
Quando Deus não segue o plano que você imaginou
A ETED fazia parte dos desejos de Tiago havia bastante tempo. Ele conhecia missionários que tinham feito a escola e via essas pessoas como referências.
Quando decidiu participar junto com sua esposa, havia também outra expectativa: encontrar formação em comunicação.
Tiago encontrou na internet aquilo que entendeu ser uma ETED de comunicação em Brasília. Fez a inscrição, foi aceito e chegou animado para aprender mais sobre como comunicar Jesus.
Então veio a surpresa.
Pouco depois do início da escola, perguntou quando aconteceriam as aulas de comunicação. A resposta foi simples: aquela não era uma ETED de comunicação.
A frustração foi real.
Mas foi justamente nesse momento que sua experiência começou a ganhar outro significado. Tiago percebeu que poderia abrir mão daquilo que esperava receber para prestar atenção ao que Deus queria fazer naquele período.
A escola tornou-se um tempo para conhecer mais a Deus.
Ao mesmo tempo, ele começou a servir com aquilo que já sabia fazer. Quando surgiu a necessidade de divulgar uma escola de missões urbanas, Tiago se ofereceu para produzir materiais e vídeos. Outros trabalhos apareceram depois.
A experiência ensinou algo que continuaria presente em sua caminhada: nem tudo começa pelo que ainda precisamos aprender. Às vezes, o próximo passo começa servindo com aquilo que já está em nossas mãos.
E foi assim que, pouco a pouco, ele começou a fazer justamente aquilo para o qual havia entendido que Deus o chamava.
Artes e entretenimento também podem ser campo missionário
Quando se fala em missão, talvez cinema não seja a primeira imagem que venha à mente.
Para Tiago, porém, é importante olhar para esse assunto de maneira mais profunda.
Um set de filmagem é feito de histórias, mas também de pessoas. São horas de trabalho, convivência, decisões, conflitos, diferenças e relacionamentos.
É nesse ambiente que ele enxerga uma dimensão da missão.
“O cinema, o audiovisual como todo, é excelente ambiente para que a pessoa de Jesus possa ser revelada nas relações humanas.”
Essa visão tira o foco apenas do produto final.
O filme importa. A mensagem transmitida por uma história importa. Mas também importa quem você é durante o processo de criação.
Tiago fala sobre poder testemunhar aquilo que Jesus fez em sua vida tanto através das histórias produzidas quanto através das relações com as pessoas.
Isso também ajuda a responder uma dúvida de muitos jovens cristãos: é possível amar Jesus e trabalhar com cinema, artes ou entretenimento?
Na experiência compartilhada por Tiago, esses lugares não precisam estar desconectados. Eles podem ser justamente o ambiente onde alguém exerce sua vocação.
Como servir em um ambiente onde existe resistência
Estar nesses espaços também traz desafios.
Marcel pergunta a Tiago como é servir em um contexto onde algumas pessoas podem não apenas desconhecer o cristianismo, mas ter resistência a ele.
A resposta de Tiago passa por algo essencial: relacionamento.
Por trás das opiniões, dos conflitos e das diferenças existem seres humanos vivendo questões profundamente humanas. E, para ele, é necessário criar espaço para convivência, escuta e diálogo.
Às vezes, estar presente também é parte do chamado.
O Deus Criador e a sua criatividade
Quando Marcel propõe um exercício e pergunta o que Tiago diria para um jovem apaixonado por Jesus e por cinema, a conversa chega diretamente ao tema do Deus Criador.
Tiago lembra que, nos primeiros capítulos da Bíblia, Deus se apresenta como Criador.
Por isso, ele acredita que criatividade também pode fazer parte da maneira como alguém serve a Deus.
Cinema cria imaginários. Filmes despertam perguntas e comunicam valores. Histórias podem levar pessoas a refletir sobre a própria vida.
Nesse contexto, seu conselho para quem percebe um chamado para esse ambiente é simples:
“Se Deus está te chamando para esse lugar, vai, porque Ele está cuidando de você e Ele quer criar com você.”
Isso não significa entrar nesses espaços confiando apenas no talento.
Tiago acrescenta outra dimensão indispensável à jornada: dependência.
Ao olhar para Jesus, ele destaca sua constante relação com o Pai e resume essa ideia de maneira direta:
“Ser humano é ser dependente do Pai.”
Criatividade e dependência, portanto, não aparecem como forças opostas. Na experiência de Tiago, elas caminham juntas.
Quando Deus fala a nossa língua
Uma das histórias mais marcantes do episódio aconteceu quando Tiago participou de um trabalho em uma comunidade cristã no Mato Grosso.
A equipe produziu a história do filho pródigo na língua daquela comunidade, contando com a participação das próprias pessoas do local.
Durante o processo de tradução, uma pessoa compartilhou como aquela experiência havia sido importante para sua relação com a própria cultura. Depois, durante a exibição, Tiago viu pessoas chorando enquanto assistiam à história.
Uma frase ficou especialmente marcada para ele: perceber que Deus falava a língua deles. Para alguém que trabalha com cinema e comunicação, esse momento reforçou algo importante.
O audiovisual consegue aproximar histórias das pessoas. Ele pode conversar com experiências humanas, culturas e perguntas que já fazem parte da vida de quem está assistindo.
E, naquele trabalho que Tiago considera um dos mais especiais de sua trajetória, cinema e missão se encontraram mais uma vez.
Seu próximo passo não precisa parecer com o de outra pessoa
A trajetória de Tiago Esmeraldo não apresenta uma fórmula para descobrir o chamado. Na verdade, ela mostra quase o contrário.
O caminho teve interesses de infância, uma experiência no cinema, planos que não deram certo do jeito esperado, uma ETED diferente daquela que ele imaginava, serviço com aquilo que já sabia fazer e relacionamentos que levaram anos para chegar a determinadas conversas.
No meio disso tudo, existe uma ideia que atravessa o episódio: Deus continua presente na jornada.
Se sua vocação passa por cinema, arte, comunicação ou outro ambiente que normalmente não aparece primeiro quando alguém fala sobre missões, talvez valha a pena considerar uma pergunta diferente.
Como você pode servir Jesus exatamente nesse lugar?
Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.
Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.