Adoração dos povos: quando cada língua declara que Ele é digno

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Existe uma pergunta atravessando o Episódio 19 do The Waves Podcast: como seria ver diferentes povos adorando a Deus a partir de suas próprias línguas, histórias e expressões?

A conversa com Italo Nunes nasce justamente desse lugar. Sua trajetória com louvor não começou como um plano de carreira musical. Depois de um encontro com Deus aos 18 anos, Italo chegou à ETED alguns anos mais tarde em um período em que reconhecia sua necessidade de buscar o Senhor.

Foi ali que começou a desenvolver canto e violão e também a enfrentar suas próprias inseguranças sobre adoração.

Durante o prático da ETED, em Oiapoque, uma experiência ministrando louvor marcou uma virada. A partir dali, Italo diz que parou de rejeitar aquele lugar e começou a viver o que entendia que Deus havia colocado diante dele.

Mas a história não ficou apenas na música.

Ela encontrou povos.

Quando adoração deixa de ser somente a nossa linguagem

Uma das primeiras experiências transculturais de Italo também aconteceu durante a ETED, em uma aldeia na região do Oiapoque.

Ele conta que se apaixonou pela cultura indígena e começou a conhecer inclusive compositores daquele contexto. Anos mais tarde, a caminhada missionária trouxe uma compreensão importante: servir os povos exigia mais do que chegar com as mesmas ferramentas usadas em outros lugares.

Era preciso aprender a comunicar.

Era preciso considerar oralidade, cultura e, especialmente, língua materna.

A mudança de perspectiva aparece com força na história da canção “Sacrifício Vivo”. Com a ajuda de um indígena, Italo traduziu a música e começou a cantá-la nas aldeias.

A reação era imediata.

Pessoas perguntavam como ele conhecia aquela língua e demonstravam surpresa ao ouvir uma música sendo cantada de uma forma tão próxima de sua realidade.

Para Italo, isso criava uma conexão difícil de explicar.

Não porque traduzir uma canção seja uma fórmula missionária, mas porque língua também comunica pertencimento, proximidade e respeito.

Como ele resume:

“Quando a gente conversa o Evangelho na língua dos povos, é muito poderoso.”

Uma história construída por muitas pessoas

Um dos momentos mais fortes da conversa acontece quando Italo fala sobre uma aldeia da etnia Galibi Marworno.

Antes do episódio narrar o que aconteceu ali, uma informação é importante: outras pessoas já haviam semeado naquele lugar.

Um missionário morou na aldeia por mais de dez anos. Durante esse período, segundo Italo, ninguém se converteu, embora crianças e adolescentes tenham sido discipulados e o missionário tenha conquistado respeito dentro da comunidade.

Mais tarde, uma dessas crianças se converteu enquanto estava na Guiana Francesa e se tornou missionário.

Outras equipes também participaram da caminhada.

Então, em 2023, uma equipe chegou à aldeia e um obreiro lembrou da canção que havia sido traduzida para a língua daquele povo. A música foi usada em oração.

Italo conta que o cacique compreendeu porque aquela era, em suas palavras, “a língua do coração”.

Naquele contexto, ele decidiu entregar sua vida a Jesus e a comunidade respondeu junto.

Posteriormente, o cacique foi discipulado, tornou-se pastor e disponibilizou um terreno para a construção de uma igreja.

É justamente por conhecer tudo o que aconteceu antes que Italo não coloca a história sobre si mesmo.

Ele reconhece as sementes plantadas por diferentes pessoas e diz:

“Deus tem prazer de nos incluir nessas histórias.”

Essa percepção muda a forma de enxergar chamado.

Talvez você não veja o resultado final daquilo que está fazendo hoje. Talvez outra pessoa continue o que começou com você. Talvez você esteja entrando em uma história que começou décadas antes.

Missão também é aprender a participar de algo maior do que nós.

De povos alcançados a povos enviados

Italo relata uma ação que uniu atendimento de saúde e uma Escola Missionária de Férias nas aldeias. Inicialmente, a resposta não pareceu ter o engajamento esperado.

Depois de um tempo, porém, 14 indígenas participaram de outra edição da escola e quatro permaneceram para fazer ETED.

Alguns chegaram com o desejo de trabalhar para que a Bíblia estivesse disponível para seu povo.

Ao mesmo tempo, eles começaram a cantar, dançar e produzir suas próprias músicas. E alguns foram servir outra etnia no oeste do Pará.

Aqui aparece uma das ideias mais importantes do episódio.

Missão não é uma via de mão única.

Os povos não aparecem na conversa como pessoas destinadas apenas a receber missionários. Eles também são missionários.

Ao falar sobre a nova geração, Ítalo resume a mudança que tem observado:

“Eu não quero mais só receber o Evangelho. Eu quero fazer parte do Evangelho. Eu quero atuar no Evangelho.”

Isso se conecta diretamente com quem ainda está tentando entender o próprio chamado.

Chamado não é somente descobrir para qual lugar distante você deve ir. É compreender qual é o seu papel naquilo que Deus está fazendo e responder a partir desse lugar.

E, às vezes, aqueles que um dia foram alcançados serão exatamente aqueles que seguirão para alcançar outros.

A adoração dos povos não precisa soar igual

No episódio, Italo também fala sobre indígenas, ribeirinhos e quilombolas criando suas próprias canções.

Há ritmos diferentes, danças diferentes e formas de celebração diferentes.

Essa diversidade não aparece como um problema a ser corrigido. Pelo contrário: ela se torna parte da beleza da história.

O objetivo não é ensinar todos os povos a adorarem da mesma maneira.

É vê-los respondendo ao mesmo Deus.

Em determinado momento, Italo conta que a canção traduzida para o contexto indígena também chegou a outros países. Ele recebeu registros de pessoas cantando em lugares da África, da China e da América Latina.

Mas faz uma ressalva importante:

“Não é sobre música estourada.”

Para ele, o ponto não é a popularidade da música nas plataformas. É perceber diferentes povos declarando que o Senhor é digno.

Essa mesma convicção aparece em outra experiência narrada no episódio. Em Moçambique, Italo cantou para um líder comunitário de 93 anos usando sua língua. O homem se emocionou e pediu que a canção fosse colocada em um pendrive para que pudesse ouvi-la novamente.

Aquela música posteriormente foi gravada em três línguas.

E a conclusão de Italo é simples:

“A música, a adoração, tem poder entre os povos.”

Qual povo estará cantando?

Perto do final da conversa, a imagem usada por Italo deixa clara a direção de tudo o que foi contado.

Ele lembra a visão de povos de diferentes raças, tribos e línguas diante do Cordeiro e imagina cada um deles cantando em sua própria língua materna que Ele é digno.

Por isso, faz uma pergunta:

“Qual etnia você vai levar diante do Cordeiro para cantar lá, diante dele?”

Não é uma pergunta para gerar culpa.

É um convite para perceber que existe uma história acontecendo e que há espaço para participar dela.

Italo descreve o movimento que tem visto entre jovens do Norte como uma “pororoca”. Não necessariamente uma onda gigantesca, mas uma onda que permanece avançando e alcançando lugares distantes.

Jovens estão sendo treinados.

Povos estão compondo.

Missionários estão sendo levantados dentro das próprias comunidades.

Canções estão atravessando fronteiras.

Talvez o próximo passo de alguém que acompanha essa história seja simplesmente começar a perguntar a Deus onde sua vida se encaixa nela.

Ele é digno

O episódio começa falando sobre adoração e termina levando a conversa muito além de música.

Adoração se conecta com missão porque o centro não está no artista, na plataforma ou na projeção de uma canção.

O centro está naquele que recebe a adoração.

Cada povo carrega língua, cultura, ritmos e histórias próprias. E a expectativa compartilhada por Italo é que essas diferenças não desapareçam, mas encontrem expressão diante do Cordeiro.

Se essa conversa despertou algo em você, assista ao episódio completo no YouTube e aprofunde essa reflexão.

Se você já está decidido a dar o próximo passo em missões, conheça a ETED e inscreva-se.

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